18 de março de 2004

Buchez (1796-1865): Primeiro: «Este antigo promotor do carbonarismo anticlerical, este apologista de Robespierre, este convertido não praticante, este «porteiro da Igreja que fazia entrar os discípulos e ficava à porta», que não recebeu do clero a não ser indiferença, desconfiança (…) este intelectual que, para esclarecer e sustentar a sua fé, não pode encontrar nos teólogos do seu tempo a não ser um pensamento medíocre, este homem foi ainda assim um daqueles que melhor compreendeu a necessidade da fé doutrinal do mistério cristão, recebido na sua integridade e integralidade, sem nenhuma «interpretação» destrutiva, para superar a crise da sociedade moderna e sair da Europa «do circulo das revoluções».» E agora: «Ele não teve medo – e isto é o que por vezes não é lembrado – de rejeitar explicitamente «a doutrina da soberania do povo formulada por Rousseau (…) «que coloca o poder humano acima da lei divina» e a que falta assim toda a norma fixa, todo o criterium «para distinguir o verdadeiro do falso, o bem do mal». (Lubac, La postérité spirituelle de Joachim de Flore, 2º vol., 114-115.)