20 de fevereiro de 2004

«O humanismo moderno assenta, pois, sobre um ressentimento e começa por ser uma simples opção. Indo buscar a palavra a Proudhon, poderemos chamar-lhe um antiteísmo. Simplesmente, em Proudhon, este antiteísmo começava por se exercer no domínio social, onde constituía, principalmente uma luta contra a falsa ideia de Providência. Tratava-se de uma recusa do homem à resignação perante as «contradições económicas», geradoras de miséria, que uma conspiração, mais ou menos consciente, de economistas e dominadores obrigava a serem sancionadas pelo Céu e que iam, frequentemente, até ao ponto de as considerar como autênticas harmonias. Proudhon, pois, apegava-se mais a uma certa maneira de recorrer à autoridade de Deus do que ao próprio Deus. Proudhon pensa ainda, todavia, que «Deus é inexaurível, que a luta, que o homem trava com Ele, é uma luta eterna, que a «hipótese divina» renasce constantemente (…)» (Henri de Lubac, O Drama do Humanismo Ateu).