11 de dezembro de 2003

«Mefistófeles: - Imaginai só que um padre apanhou aquele adereço que oferecemos a Margarida! A mãe (…) À vista das jóias, logo percebeu que aquilo abençoado não era, pelo que exclamou: Minha filha! Um bem indevidamente adquirido acorrenta a alma e escalda o sangue… consagremo-lo, pois, à mãe de Deus, e ela no-lo pagará com um maná do céu! (…) Mandou a mãe chamar um padre, o qual, mal ouviu do que se tratava, prestou toda a atenção. "Mas que bem pensado! – disse ele: - Quem sabe superar-se só tem a ganhar. A Igreja goza de bom estômago: já devorou países inteiros, sem nunca ter tido uma indigestão. Só a Igreja, minhas boas senhoras, pode digerir um bem mal ganho". Fausto: - É o seu hábito mais vulgar. Judeus e reis também o fazem.» (Goethe / Nerval, Fausto, Estampa, Lx, 1999, 131)