22 de setembro de 2003

Christopher Marlowe. Fausto.
«Fausto sofre a justa paga divina pelo orgulho que demonstrou ao assinar o pacto com o Diabo, e pelo desespero que deu provas depois, ao não enveredar por uma inequívoca contrição?» (J. F. Duarte e V. A. Ferreira, Introdução em Christopher Marlowe, História trágica da vida e morte do Doutor Fausto, Editorial Inquérito, Lisboa, 1987, pp. 20-21.)

Mas será Fausto apenas Fausto ou também Marlowe - No seu Hero and Leander, «Marlowe deu corpo àquele que, no juízo algo imoderado de C. S. Lewis, é a mais perfeita das suas obras. Seja ou não assim, o sentimentalismo convencional daquela história de amor é, digamos, temperado pela excelência prosódica das coplas de Marlowe e pelo tom decididamente irónico da voz narrativa, que vai interpolando no desenvolvimento da intriga formulações lapidares pela concisão epigramática. Uma delas, e uma das mais célebres, podia bem ser a aplicada, sem ironia (ou então com trágica ironia), aos destinos do homem que a compôs, e que tão apaixonada e desordenadamente amou as mais instituais pulsões de vida – tanto as amou, de facto, que viu, como o seu herói Fausto, a grandeza do homem que era tragicamente rematada pela insatisfação do homem que queria ser:
Love is not full of pity (as men say)
But deaf and cruel where he means to prey.» (J. F. Duarte e V. A. Ferreira, Introdução em Christopher Marlowe, História trágica da vida e morte do Doutor Fausto, Editorial Inquérito, Lisboa, 1987, p. 25)

O que se poderia dizer sobre o orgulho ou sobre a eterna insatisfação do homem? Chamemos Fausto. Diz o coro:

«Tão depressa progride em Teologia
(...)
Que o grau de doutor em breve aufere.
Superando todos os que em doce gozo discutiam
As divinas matérias teológicas.
Até que, de orgulho e saber inchado,
Suas asas de cera sobem, desmesuradas
(...)
É este o homem que vereis sentado em seu escritório.» (Christopher Marlowe, História trágica da vida e morte do Doutor Fausto, 33.)»

Podereis ver mais. Pela leitura do que diz André Baptista:

É assim a bordo. Não imaginam a quantidade de vezes que mudo de roupa por dia. Se chego a casa e se tenho de sair passadas umas horas, então!, antes de voltar a sair, bom, não vou dar pormenores, mudo de roupa não sei quantas vezes. Depois, é usual, regresso à rua com a roupa que andava antes. Já o tinha dito: pop para rock, rock para pop. Não só na música. Quando leio, é raro o livro que leio concentrado. Paro para pensar na minha vida. Paro para associar outro livro, escrever. É assim: caos, dispersão, ao meu lado sempre outro mundo.