26 de setembro de 2003

Christopher Marlowe. Fausto.
Deixámos ontem Fausto num estado de grande excitação. Não o façamos sofrer mais. Por isso, passemos ao momento em que Fausto conjura as criaturas das trevas. Entra um Mefistófeles que pensaríamos altaneiro. Traz notícias de última hora.

«Fausto – Não foram então os meus conjuros que te trouxeram?
Mefistófeles – Sim, foram eles a causa, mas só per accidens,
Pois se ouvimos alguém vexar o nome de Deus,
Abjurar o Escritura e o Cristo Salvador,
Logo acorremos na esperança de conquistar
Essa alma gloriosa.
(...)
Fausto – Diz-me o que é esse Lúcifer, teu senhor.
Mefistófeles – Arqui-regente e chefe dos demónios.
Fausto – Não foi outrora Lúcifer um anjo?
Mefistófeles – Pois foi, Fausto, e bem amado de Deus que ele era.
Fausto – Como se tornou então no Príncipe dos diabos?
Mefistófeles – Oh...! Por orgulho, ambição e insolência,
E por isso Deus o expulsou do Céu.
(...)
Fausto – e para onde fostes condenados?
Mefistófeles – Para o Inferno.
Fausto – Como é que então estás aqui, fora do Inferno?
Mefistófeles – Mas isto é Inferno; não estou fora dele.»(Christopher Marlowe, História trágica da vida e morte do Doutor Fausto, 48-49.)