7 de setembro de 2003

Angústia, sangue e suor é uma das coisas mais intrigantes na história da paixão de Cristo. A angústia, em Getsémani, aquando do anúncio da proximidade da crucificação. Lucas diz gotas de suor como sangue... Esta reacção contrasta com diversas histórias de martírio. Há aí, todo um clima de confiança, mesmo de regozijo. O martírio foi teorizado e louvado. Martírio significava, de algum modo, sinal de Deus, vida escolhida... Como podemos compreender, então, a reacção de Cristo? – Há um pormenor na paixão de Cristo que parece fazer toda a diferença. Os mártires posteriores encontram-se em companhia. São Pedro, em Roma, de cristão romanos. Cristo encontra-se sozinho. Abandonado por todos e pelos seus mais próximos companheiros. O último, o que o seguia envolto num lençol, acabou também por abandoná-lo. É este extremo abandono, extrema rejeição, este corte quase universal no amor e na amizade que deixa compreender qualquer coisa de tanta angústia, suor e sangue.