5 de setembro de 2003

Geza Vermes, The Religion of Jesus the Jew, Fortress Press, Minneapolis, 1993. O Cristianismo tem a história marcada por constante tensão. Hoje, ontem, no início. Geza Vermes, neste livro, sequência dos livros anteriores, Jesus o Judeu e Jesus e o Mundo do Judaísmo, mostra esta tensão entre um Cristianismo que retém muitos dos traços da origem Judaica, mas que os retém para integrá-los numa nova identidade. Este propósito continua presente na imagem dada aqui da religião de Jesus. Geza Vermes começa por tentar verificar a relação que Jesus estabelece com a Lei Judaica. Afirmando o Judaísmo fortemente enraizado no pensamento de Jesus, ainda assim conclui: «Enquanto os sábios rabinos são a maior parte das vezes retratados como especialistas práticos nos finos detalhes do que é proibido ou do que é permitido, isto é, do caminho correcto de implementar a Tora, e menos frequentemente como moralistas ou teólogos, a característica mais marcante da atitude de Jesus é a preocupação que tudo penetra com o ultimo propósito da Lei a qual é percebida, primeira, essencial e positivamente, não como algo jurídico, mas como uma realidade religiosa e ética, revelando o que ele pensava ser o comportamento correcto e divinamente ordenado em relação ao homem e em relação a Deus.» (44-45)Se antes pusemos em evidência a tensão entre o Judaísmo e a mensagem cristã, agora, somos confrontados por Geza Vermes com as tensões entre Jesus e o Cristianismo. Lendo a religião de Jesus nos três sinópticos, Vermes deixa polemicamente de lado S. João, os Actos, e também as cartas de S. Paulo. Afirmando na religião de Jesus a desvalorização da dimensão teológica e vendo nela sobretudo um ambiente escatológico, um apelo ao arrependimento, à fé e ao risco individuais (117), põe em sobressalto toda a história cristã posterior nos esforços para construir uma Igreja e um saber da mensagem (capítulo 8 - a religião de Jesus e Cristianismo).