13 de julho de 2003

Rupert Short, Rowan Williams - An Introduction, Darton, Longman and Todd, London, 2003. Esta biografia tem o sabor especial de ser sobre alguém de hoje e que hoje e alguém que em termos nacionais está coberto por um manto de fumo, mesmo quando é uma das figuras mais importantes na vida dos nossos velhos aliados e uma das mais importantes da Igreja Anglicana.
O leitor português tem neste livro oportunidade de fazer uma primeira aproximação a alguns temas que raramente vê discutidos no panorama nacional. A relação que a Igreja pode ter com a homossexualidade dos seus dirigentes ou fiéis. O papel das mulheres na sua estrutura dirigente. Verificar se o dito de Alasdair MacIntyre citado na página 50, de que as tradições quando vivas envolvem não só continuidade como conflito, faz ou não sentido.
No capítulo onde se dá conta das reflexões sobre espiritualidade de Rowan Williams, surge uma sugestão para dias de Setembro, dias em que o trabalho recomeça e o tempo e o espaço ficam mais curtos. Relatando uma descrição de Williams do cenário com que um monge se confronta no espaço da sua cela, surge:
«A santidade é frequentemente prosaica: consiste em fazer a próxima coisa. Williams avisa que “nós gostamos de dar nas vistas». Nós gostaríamos que as nossas vidas fossem dramáticas (...) e aqui são os Padres do Deserto a dizerem: dorme, bebe, entrelaça algumas folhas. Ou seja o que for o seu equivalente nas nossas situações domésticas.”
Seguir este conselho é dar um passo no longo caminho da auto aceitação – “comprometer-se” com o que somos (...) O reverso é a fantasia de estar sempre à procura de estar noutra parte ou a transformar as próprias circunstâncias; a reductio ad absurdum disto é a preferência de Satanás por estar no controle de um mundo ilusório em detrimento do controle de um mundo real.» (97)