11 de julho de 2003

Maurice Blondel, L’action. Blondel, pensador injustamente pouco lido nos nossos meios intelectuais, fornece-nos nesta sua primeira obra e tese de doutoramento, uma singular pragmática. A pragmática foi concebida durante o século vinte associada sobretudo às questões da linguagem e às correntes filosóficas anglo-saxónicas. Aqui, em L'action, a pragmática surge como uma teoria da acção, onde a acção é o nó górdio em que todas as dimensões da vida humana se decidem: o conhecimento, a linguagem, o ser. Para Blondel, somos o que fazemos, e assim o que fazemos dá a exacta medida do que somos. Numa época, onde a identidade pessoal ou colectiva vive no reino da angústia e onde um dos primeiros motivos desta angústia é a dificuldade de encontrar os meios conceptuais para a pensar, Blondel aponta um caminho: vê sobretudo o que fazes... O que pensas?... Diz-te o que és, quando operacionalizado numa prática.